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Terminologias

Anatomical Therapeutic Chemical (ATC) é uma classificação da WHOCC (WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology). Neste sistema de classificação as substâncias activas são divididas em diferentes grupos de acordo com o órgão ou sistema em que atuam e as suas propriedades terapêuticas, farmacológicas e químicas.

Os medicamentos são classificados em grupos em cinco níveis diferentes., de acordo com o órgão ou sistema sobre o qual actuam e segundo as suas propriedades químicas, farmacológicas e terapêuticas, podendo os sub-grupos chegar até ao quinto nível de granularidade:

  • O grupo principal,nível1, é representado por uma letra e corresponde ao grupo anatómico
  • O nível2 é representado por dois números e corresponde ao grupo terapêutico
  • O nível3 é representado por uma letra e corresponde ao grupo farmacológico
  • O nível4 é representado por uma letra e corresponde ao grupo químico
  • O nível5 é representado por dois números e corresponde à substância química

A nível de nomenclatura,a Denominação Comum Internacional (DCI) é a preferencial. Caso a DCI não seja atribuída, os nomes USAN (United States Adopted Name) ou BAN (British Approved Name) são geralmente escolhidos.
A lista de termos de medicamentos da OMS (Ação Farmacológica e Uso Terapêutico de Medicamentos – Lista de Termos) é usada quando se nomeiam os diferentes níveis ATC.

Em Portugal, a classificação é usada a nível farmacêutico pelo INFARMED

A Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE) foi desenvolvida pelo International Council of Nurses (Conselho Internacional de Enfermeiros), e visa uniformizar conceitos e catalogar diagnósticos de Enfermagem, resultados e intervenções, criando uma terminologia comum a todos os profissionais de Enfermagem.

A importância deste standard de linguagem impõe-se na necessidade de estabelecer uma terminologia uniforme nesta área, que melhore a comunicação intra. e interdisciplinar, e ainda entre diversas áreas geográficas. Os objetivos prendem-se com a obtenção de dados estruturados e relevantes com vista à otimização dos cuidados em saúde, influenciando as políticas de saúde, como a distribuição de recursos humanos e técnicos.

Tem como objetivo descrever a prática de enfermagem, ou seja, descrever o que fazem os enfermeiros, com o objetivo de produzir determinados resultados em saúde e melhorar a prestação de cuidados de saúde ao utente.
A CIPE por forma a promover a interoperabilidade entre as diferentes terminologias existentes possui parcerias com as entidades responsáveis pelo seu desenvolvimento, e um quadro unificador que permite o mapeamento destas entre si. De entre as parcerias existentes pode salientar-se a World Health Organisation (WHO), Family of International Classifications, SNOMED International responsável pela terminologia clínica SNOMED CT (que garante que os requisitos da linguagem de Enfermagem estão devidamente capturados neste catálogo de termos clínicos) e International Organization for Standardization (ISO) entre outros.

A Ordem dos Enfermeiros é a entidade responsável pela governança desta classificação.

HL7 (Health Level Seven) é um protocolo de transmissão de mensagens de equipamentos médicos, sistemas administrativos e bases de dados médicas, desenvolvido pelo HL7 International.

HL7 é um protocolo internacional para intercâmbio de dados eletrónicos em todos os ambientes da área da saúde, integrando informações de natureza clínica e administrativa.

O HL7 tem como missão:

  • Fornecer sistemas e padrões relacionados para a troca, integração, partilha e recuperação de informação eletrónica na saúde, para apoio da prática médica e administrativa, permitindo um maior controlo dos serviços de saúde;
  • Criar metodologias, padrões e diretrizes que sejam flexíveis, viáveis economicamente e que permitam a interoperabilidade e partilha de informações clínicas armazenadas eletronicamente.

O HL7 tem como objetivo:

  • Promover o uso de standards dentro dos domínios da área da saúde e os controladores e reguladores a nível internacional;
  • Promover a formação da utilização de standards;
  • Fornecer serviços de certificação.

A visão do HL7 é encorajar a aceitação e o uso do HL7 internacional para que seja possível para qualquer um, aceder em qualquer parte, à informação clínica correta quando necessário.

Atualmente encontra-se em fase final de desenvolvimento a comunidade HL7 Portugal.

A Classificação Internacional de Doenças Oncológicas (CID-O), é desenvolvida e atualizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sendo reconhecida internacionalmente como a classificação para a categorização dos tumores e taxas de sobrevivência.
A ICD-O-3 deriva do ICD-10 distinguindo-se na sua capacidade de especificidade no que diz respeito à classificação de neoplasias malignas (tumores malignos), o que se traduz na sua divisão em dois eixos (sistemas de códigos) principais: topográficos (descreve a localização do tumor) e morfológicos (caracteriza o tipo de tumor), permite um registo mais exato destas entidades.
O ICD-O possui ainda conteúdo mais específico e abrangente na área da oncologia, o que lhe permite ser a classificação mais adequada ao registo deste tipo de doença, em comparação com outros sistemas de classificação de doenças.
Em Portugal é usado pelos ROR (Registo Oncológico Regional) que se subdividem em RORENO (Registo Oncológico Regional Norte), RVNG (Registo Oncológico de Vila Nova de Gaia), RORSUL (Registo Oncológico Regional SUL) e RORCENTRO (Registo Oncológico Regional Centro).
A governança desta terminologia em Portugal está a cargo da ACSS (Administração Central Sistema de Saúde), que gere o conteúdo e sua utilização.
Atualmente encontra-se em desenvolvimento um projeto que visa a criação de um referencial de linguagem na área oncológica, do qual irá também fazer parte o mapeamento do ICD-O-3 com SNOMED CT.

O ICD-10-CM (International Classification of Diseases 10th revesion – Clinical Modification) é a modificação feita pelos Estados Unidos ao ICD-10 desenvolvido pela OMS (Organização Mundial de Saúde).Todas as alterações feitas pelos EUA neste standard tiveram de respeitar as convenções internacionais estabelecidas para o ICD-10.
O ICD-10-CM foi desenvolvida pela NCHS (National Center for Health Statistics). Esta organização trabalhou em parceria com diversas instituições por forma a receber contributos sobre as necessidades de registo/classificação ao nível dos EUA. Incorpora assim um nível de detalhe necessário para classificação de morbilidade e também códigos que dizem respeito a práticas aceites naquele país.
A ICD-10-CM representa um acréscimo considerável de códigos para classificação de diagnósticos (cerca de 68.000 contra os 13.000 existentes na ICD-9-CM). Os códigos são alfanuméricos e até sete dígitos, possibilitando um maior número de subcategorias e a classificação da lateralidade e bilateralidade.
A ICD-10-CM apenas contempla a codificação de diagnóstico (substitui a ICD-9-CM vol. 1 e 2), portanto foi necessário criar o ICD-10-PCS (Pocedure Coding System) para a codificação de procedimentos (substituindo o ICD-9-CM vol. 3).
Os objetivos do desenvolvimento ICD-10-PCS foram:
– Melhorar a exatidão e eficiência da codificação de procedimentos. Através do aumento de especificidade;
– Reduzir os esforços de formação através da standardização;
– Melhorar a comunicação com os clínicos através do uso de linguagem que se identifica com as práticas atuais da área.
Tanto ICD-10-CM como o ICD-10-PCS foram desenvolvidos com maior flexibilidade, capacidade e consistência para incorporar nova informação clinica e tecnológica. São uma melhoria substancial ao ICD-9-CM, o que comprova a importância da sua adoção.

A Classificação Internacional de Cuidados de Saúde Primários (International Classification of Primary Care– ICPC) é um sistema de codificação clínica desenvolvido pelo comité de classificações da WONCA (Organização Mundial de Médicos de Família), que detém os direitos de autor desta classificação. A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é a detentora dos direitos de utilização da ICPC-2 em Portugal.

Esta classificação foi criada com o intuito de desenvolver uma linguagem que refletisse as especificidades da prestação de cuidados ao nível dos Cuidados de Saúde Primários e proporcionar aos profissionais envolvidos a possibilidade de utilizarem uma linguagem comum a nível internacional.

A ICPC-2 é uma atualização da ICPC, havendo também a versão ICPC-2E, isto é, a versão eletrónica da ICPC-2 que permite a codificação eletrónica e direta de todos os dados registados pelo médico de família aquando da interação com o utente.

A existência deste standard permite a obtenção de dados muito relevantes referentes à caracterização epidemiológica da população, concretamente dados de morbilidade.

LOINC (Logical Observation Identifiers Names and Codes) é uma base de dados universal para a identificação de observações laboratoriais. Foi desenvolvido pelo Instituto Regenstrief em 1994, entidade que ainda o mantêm, sob a aprovação do Colégio Americano de Patologistas e a Associação de Laboratórios Clínicos Americanos.
O seu propósito é facilitar a troca e a circulação dos resultados de análises clínico-laboratoriais, tais como a hemoglobina ou o potássio, necessários para prestação de cuidados, avaliação de resultados e pesquisa.
Mais do que um standard o LOINC é já uma comunidade, adotado em várias partes do mundo, traduzido para 9 línguas, é usada por instituições de saúde, vendors TI, projetos de investigação e agências governamentais.
A adoção de padrões (linguagem standard) é um requisito essencial para a melhoria da qualidade e utilização da informação entre todos os envolvidos na área de saúde.

 
Em Portugal é usado como standard para a classificação da informação partilhada no âmbito dos resultados laboratoriais.
Encontra-se a decorrer o projeto CPAL, que visa a formação de um referencial de termos para esta área que serão mapeados com o SNOMED CT, possibilitando uma troca de informação clínica alargada até ao nível internacional.

A Orphanet um portal online de doenças raras e medicamentos orfãos, a infra-estrutura e as atividades de coordenação são financiadas pelo INSERM (Instituto Nacional Francês de Saúde e Investigação Médica).

O sistema de codificação Orpha foi concebido com base nos dados da Orphanet. Cada uma das cerca de 7000 doenças raras listadas no site da Orphanet é atribuído um identificador único e estável, ou seja, um código Orpha (número ORPHA), essencial para melhorar a visibilidade das doenças raras nos sistemas de informação em saúde e investigação

Em Portugal, há um Conselho Científico Nacional sendo que a Orphanet Portugal está sedeada na Direção-Geral da Saúde(DGS). Para mais informações aceder aqui.

O SNOMED CT ou Systematized Nomenclature of Medicine Clinical Terms, é uma terminologia clínica internacional multilingue, usada atualmente em mais de 50 países, sendo a língua oficial o Inglês.  A SPMS adquiriu a licença para o uso do SNOMED CT, em território Nacional, desde janeiro de 2014.

 

O SNOMED CT permite o registo da informação num processo clínico eletrónico, abrangendo diversos contextos, desde sinais e sintomas de doenças até ao contexto social, administrativo, etc. É muito próxima da linguagem clínica natural de cada país, permitindo captar os diferentes dialetos e idiomas usados pelos clínicos, mantendo um código único.

 

A terminologia está organizada em conceitos, interrelacionáveis entre si, permitindo refinar e detalhar cada vez mais a informação clínica. Esta funcionalidade permite aumentar a riqueza e consequentemente a qualidade dos dados inseridos, promovendo a partilha e recolha eficazes da informação clínica.

O SNOMED CT é mantido e atualizado duas vezes por ano (janeiro e julho) pela SNOMED International, uma organização sem fins lucrativos, composta atualmente por 27 países membros e à qual Portugal pertence desde janeiro de 2014, através da SPMS.

A licença é gratuita em território nacional, mas carece da apresentação de uma candidatura que deverá ser efetuada através do CTC.PT.

 

O acesso está disponível para profissionais de Saúde, das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), a investigadores, e a todos aqueles que tenham interesse em aprender os conceitos fundamentais da terminologia.

 

Para informações sobre a terminologia aceder aqui.